O que aprendi trabalhando como Arquiteto de Dados

Arquitetura de dados, software entre outras frentes dessa função no mundo da tecnologia tem muitas características do “arquiteto tradicional” do ramo da construção civil.

Fazendo um paralelo, quando você quer construir uma casa, certamente você tem em mente uma ideia que está associado a sua necessidade atual, como por exemplo, três quartos para os filhos, escritório para o home office, área de lazer e churrasco para amigos, porém, sozinho, não terá todas as ferramentas e o conhecimento necessário para tirar a ideia/necessidade do mundo abstrato e de fato torná-la real, analisando diversos fatores como, prazo, custo, ferramentas, complexidade entre outras variáveis de um projeto.

Para projetos de tecnologia especificamente no âmbito de Big Data, os problemas são similares com o que mencionei acima. Para isso, existe a figura do Arquiteto de Dados, que assim como no ramo da construção civil, na tecnologia tem a principal missão de compreender todas as minucias da necessidade de negócio e transformar isso em um plano claro sob a ótica da tecnologia, identificando “o que” precisamos fazer para assim definir “o como” vamos implementar, avaliando custos, tecnologias e claro mantendo a conformidade da plataforma cultivando um ambiente escalável e seguro, longe dos temidos débitos técnicos impagáveis no futuro 😉

Normalmente o time de arquitetura de dados trabalha em formato cross-team, ou seja, o arquiteto trabalha em projetos de Engenharia, Governança, MLOPs, Data Science e BI. Aqui eu trago o primeiro aprendizado, “Não podemos ter medo de Tecnologia”. Como arquiteto, estamos expostos a projetos dos variados tipos, começamos o dia em reuniões sobre streaming entre AWS e GCP e terminamos o dia com o time de MLOPs conversando sobre uma nova tecnologia de pipeline para modelos de Data Science. Estar sempre aberto a novas tecnologias nos ajuda a resolver problemas diferentes com tecnologias diferentes, evitando o famoso martelo de quebrar vidro. Isso nos leva ao segundo aprendizado que compreendi, “Não precisamos ser especialista em tudo, basta ser curioso e ter vontade para aprender”. Como estamos envolvidos frequentemente em assuntos variados, certamente não saberemos responder no nível especialista sobre todas as tecnologias. Entendo que isso faz parte do jogo e está tudo bem. O que precisamos é sempre ter a skin da curiosidade ativada para minimamente buscar o conhecimento que nos falta para ajudar o time a sair do outro lado, esse hábito inconscientemente elevará nosso conhecimento ao decorrer do tempo tornando um arquiteto melhor.

Essa busca por mais conhecimento e ao mesmo tempo a pressão que nós colocamos em nós mesmos para poder resolver um problema, me levou ao terceiro aprendizado, “Está tudo bem dizer que não sabe”, em muitos casos não vamos saber de bate pronto como tal tecnologia funciona ou qual é o melhor caminho para o problema xpto… e está tudo bem dizer “não sei mas vou descobrir”, todo mundo irá compreender que você está sendo honesto e que está buscando o conhecimento. Isso não é um demérito e precisa ser compreendido como normal e evolutivo para o bem da saúde do ambiente de trabalho. Afinal, todos estamos em evolução.

Compilando tudo isso, chego no último aprendizado que quero compartilhar com vocês. “Comunicação é ouro”, nesse post eu estou comentando alguns pontos que compreendi como Arquiteto, mas, creio que são aprendizados que podem ser refletidos e colocado em prática independente do seu cargo e atuação. Falo que comunicação é ouro, pois a falta dela ou a má compreensão gera ruídos que em muitos casos é o que conhecemos como “Tempestade em copo d’água”. Atuando como Arquiteto estamos trabalhando como uma cola entre a área de negócio, desenvolvedores, engenheiros de dados, cientistas entre outras roles que estão envolvidas no projeto, onde a complexidade é que cada um está olhando o mesmo problema de um ponto de vista diferente. Ter a comunicação clara e assertiva onde todas as pessoas compreendem o caminho que foi definido é crucial para o sucesso do projeto, tanto na questão técnica como no ponto de vista de prazos.

Logo, esses são os pontos que compreendi trabalhando na função de Arquiteto e se alguém me pedisse dicas, eu passaria exatamente essas 😉

  • “Não podemos ter medo de Tecnologia”
  • “Não precisamos ser especialista em tudo, basta ser curioso e ter vontade para aprender”
  • “Está tudo bem dizer que não sabe”
  • “Comunicação é ouro”

Para concluir, nós que trabalhamos com tecnologia temos algum bit solto cabeça porquê gostamos de sofrer e passar horas compreendo um log, fazendo troubleshooting ou simplesmente consumir 10 horas para criar um ambiente de teste que poderia ser feito em 10 minutos, mas ficamos preso em algum erro que no final das contas era uma configuração de region ou quota do Cloud Provider ;). E na minha humilde opinião é isso que impulsiona o nosso aprendizado e consequentemente nosso crescimento na área de atuação.

Espero que de alguma maneira essa confissão informal possa contribuir na sua jornada e lembra-se, tecnologia vai e vem, o que fica é o aprendizado contínuo.

[]s

Esse texto foi publicado inicialmente no Linkedin -> O que aprendi trabalhando como Arquiteto de Dados | LinkedIn

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